Calotes: como lidar com isso?

Sempre torcemos para não levar calote, mas infelizmente pode ser que aconteça. Não apenas torcemos, mas trabalhamos de um jeito que procuramos evitá-lo ao máximo, mas caso venha a acontecer, como lidar com isso? O que fazer?
Essa foi uma pergunta feita por um leitor do blog, e confesso que demorei um pouco a responder porque fiquei pensando em como eu reagiria caso passasse por essa situação novamente.
Tenho quase certeza que já comentei sobre isso aqui no blog, mas o primeiro cliente direto que eu tive, logo que comecei a carreira, foi também quem me deu o primeiro calote. Como a quantia era muito pequena, após cobrar inúmeras vezes eu acabei cansando, já que não valia a pena me estressar por tão pouco. Nesse caso, ficou de experiência.
Nunca recebi calote de uma agência de tradução. Já trabalhei com várias, trabalho com algumas ainda hoje e com outras preferi parar de trabalhar, mas todas sempre me pagaram na data combinada, a tarifa combinada.
Para não precisar lidar com calotes, é melhor se prevenir e tentar evitá-lo ao máximo. Quando falamos sobre agências de tradução, você pode pesquisar sobre elas em sites de buscas, no ProZ, nos grupos de tradutores, etc. As agências geralmente têm uma data fixa para efetuar os pagamentos, mas já vi muitos colegas comentando que algumas agências dão algum tipo de desculpa quando a data combinada chega e vão adiando o pagamento.
Com clientes direto você deve fazer pesquisas sobre eles e suas empresas, e você tem mais liberdade e pode solicitar um “sinal” para então começar a realizar o serviço. Alguns não aceitam e dizem não ter condições de realizar essa parte do pagamento. Cabe a você aceitar ou não o serviço. Mas independente do cliente dar ou não o sinal, quando você entrega a tradução, é preciso receber o pagamento pelo serviço.
Por mais que você queira trabalhar com contratos e peça para o cliente assinar um informando que está ciente sobre prazos de pagamento ou qualquer coisa do tipo, pode ser que ele não cumpra. Não sei se as agências que dão calote pedem para o tradutor assinar um contrato (já trabalhei com agências que exigiram a assinatura de um contrato e outras não, mas todas são sérias e como já falei, sempre me pagaram direitinho). Mas então, se percebermos que vamos levar um calote, o que fazer?
Vou dar 5 dicas (do que eu faço) que você pode utilizar caso sinta que vai levar um calote (de agência ou cliente direto).
1.  Pare e respire fundo! Não faça nada com a cabeça quente ou irritado, pois você pode se arrepender mais tarde.
2. Haja com profissionalismo e maturidade. Eu sei que bate uma revolta profunda, principalmente quando o cliente diz que vai pagar e fica enrolando, mas é nesse momento que temos que ser maduros e profissionais. É em casos assim que nossa atitude mostra quem somos.
3. Faça as cobranças por escrito. Por mais que seu cliente prefira o contato telefônico, sempre mantenha uma cópia do que foi conversado por e-mail. Isso serve como documentação para ambos. 
4. Se você não aguenta mais fazer cobranças, informe ao seu cliente (de maneira educada, porém com clareza), que o pagamento deve ser feito até a data X, caso contrário você buscará meios legais de receber a quantia que lhe é devida.
5. Se mesmo após fazer o que indica o ponto 4 o cliente não efetuar o pagamento, entre em contato com um advogado e solicite informações para saber como proceder e se valerá a pena brigar pela quantia que o cliente deve.
ATENÇÃO: Tradutor, neste caso, esqueça o site Reclame Aqui, pois este é para atender aos consumidores. Em um caso de calote nós não somos os consumidores, mas sim os prestadores de serviço!
Confesso que é muito chato fazer cobranças, mas é mais chato ainda você trabalhar de graça. Eu sempre procuro tentar resolver meus problemas (seja com cliente ou com quem quer que seja) de maneira amigável e sem precisar envolver a Justiça. O último caso que aconteceu comigo, eu parei no número 4. Enviei mensagem para o cliente informando que se não efetuasse o pagamento até a data X, eu entraria com meios legais para receber o dinheiro. E não é que deu certo?!
Outra dica que dou é que você tente resolver tudo entre vocês e não saia ameaçando dizendo que vai gritar o nome dele por aí. E tome cuidado caso essa ideia passe pela sua cabeça, pois caso ele veja, ainda pode virar o jogo e se tornar a vítima, processando você por difamação, calúnia, e outras coisas mais que podem querer acrescentar ao processo. Se quiser ver outras dicas, clique aqui.
Eu não sei se o leitor que fez essa pergunta sobre como lidar com calotes recebeu um calote ou se só está querendo se precaver, então, fiz um post talvez um pouco genérico, mas que tem o passo a passo do que eu faço quando sinto que vou levar um calote. Espero que ajude. 😉

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