Tradução ou Interpretação?

Gente, eu jurava que já tinha feito um post aqui no blog falando sobre a diferença entre a tradução e a interpretação, mas quando fui procurar, onde estava? Então parei tudo e comecei a escrever.

Acredito que muitos dos leitores saibam qual é a diferença entre as profissões, mas sempre existe alguém que não sabe, e é justamente por isso que achei importante falar um pouco sobre o assunto.

O tradutor também pode ser intérprete, tanto que às vezes encontramos alguns profissionais que se denominam tradutor-intérprete, já que atuam nas duas áreas. Eu ainda não sou intérprete, mas um dia pretendo ser.

Ah! Detalhe: O intérprete não é o cara que canta ou atua. O intérprete, assim como o tradutor, transmite uma mensagem de um idioma para o outro, mas a modalidade é diferente: o primeiro o faz oralmente, e o segundo, de maneira escrita.

tradução ou interpretação - tradutor iniciante

Na tradução o profissional tem que saber tanto a língua estrangeira como a sua língua materna, tem que dominar muito bem a escrita e saber onde e como pesquisar certos termos e expressões.

Na interpretação o profissional também precisa saber muito bem os dois idiomas com os quais vai trabalhar, mas também precisa ter um domínio da comunicação oral muito grande. É preciso saber cuidar da voz, da respiração. O intérprete precisa pesquisar antes do evento para se preparar, e se possível deve montar um glossário.

O tempo que o tradutor tem para pensar e encontrar a adaptação perfeita, o intérprete não tem. Este deve saber trabalhar sob pressão e ter soluções rápidas.

Já vi algumas pessoas pensando que basta ser tradutor e automaticamente será intérprete (e vice-versa), e eu também já cheguei a pensar assim. Inclusive, não entendi muito bem quando, no primeiro dia de aula da pós-graduação em tradução, um dos professores comentou que aconselhava os alunos a primeiro fazer o curso de tradução e depois o de interpretação.

As profissões são muito parecidas, mas são muito diferentes. Para ser um bom profissional é preciso estudar e praticar muito! Eu senti isso quando me atrevi a pegar o primeiro trabalho de interpretação.

Não basta saber outro idioma! É preciso ter algumas técnicas para conseguir ter sucesso nessa profissão. Mas esse é um tema para outro post… 😉

 

Quem quiser saber mais sobre a profissão, é só se inscrever no canal do youtube, porque em breve vai ter vídeo falando sobre o assunto!!! =)

Bandeirada: cobrar ou não cobrar, eis a questão

Você sabe o que é a bandeirada na tradução? Será que vale a pena para você? E para o cliente?

Quando você entra em um táxi, a primeira coisa que o motorista faz é ligar o taxímetro que começa a marcar um valor X que você já paga só por ter entrado no carro. Atualmente, aqui no Rio de Janeiro, se não me engano, a bandeirada está em torno de R$ 5,00 a R$ 6,00, ou seja, no mínimo você vai pagar esse valor. A mesma coisa acontece com o Uber (que está na moda agora, né?! rs): quando você solicita uma corrida, ele mostra uma estimativa de preço e tem ali o mínimo que você vai pagar ao percorrer tal trajeto.

Alguns tradutores são adeptos à bandeirada nos serviços de tradução. Caso o cliente envie um texto pequeno, que se for calcular o valor por palavra e der, por exemplo, R$ 12,43, o profissional não aceita pegar o trabalho, ou cobra um valor mínimo para realizá-lo, como R$ 50,00 ou R$ 100,00. Caso a tradução tenha um orçamento que passe do valor da bandeirada, volta a cobrar por palavra.

Até que ponto isso vale a pena?

Se você está sem fazer nada ou mesmo na sua rotina normal, com trabalhos, mas nada que ocupe 100% do seu tempo, eu não vejo sentido em cobrar um valor fixo ao cliente. Eu, particularmente não adoto essa prática e, pensando como o cliente, não gostaria que adotassem comigo.

Tentando encontrar uma justificativa caso fosse aderir à essa prática, eu só cobraria a bandeirada em duas situações:

1) Se eu estivesse de férias, viajando e tal. Afinal, também tenho o direito de descansar, e estaria interrompendo o meu descanso para trabalhar, e claro, isso tem um custo.

2) Se eu estivesse com muito trabalho, desses que você quase tem que virar a noite pra conseguir cumprir o prazo, e fosse encaixar mais um, com muito esforço.

Por que pensei nessas duas situações?

Porque eu gosto de justificar o meu orçamento para o cliente. Tanto para cobrar, quanto para dar desconto (coisa que não gosto de fazer) eu gosto de explicar qual é o motivo daquilo. Não gosto de enviar um orçamento no estilo “porque sim”. Fora as situações acima, não vejo motivo para cobrar “além das palavras”.

Eu também gosto sempre de pensar no cliente e de me colocar no lugar dele. Penso em como eu gostaria de ser atendida, tratada… Sou uma pessoa muito exigente como cliente, então, gosto de dar o melhor atendimento quando procuram os meus serviços!

Sei que esse assunto é bem complicado, que cada um é que sabe onde o sapato aperta (a expressão é assim mesmo?) e que não temos uma tabela de tarifas certinha para seguir (infelizmente), mas esse é o meu ponto de vista, e gostaria de compartilhar com vocês, e talvez, fazer alguns pensarem sobre o assunto, caso ainda não tenham ouvido falar sobre essa forma de cobrar por um serviço.

Se você cobra a bandeirada, deixa um comentário explicando o porquê. Se você não cobra, conte também! Vamos trocar ideias! Quero saber o que vocês pensam! Adoro conhecer outros pontos de vista!!! =)

O cliente quer do jeito dele, e agora?

Como existe a primeira vez para todo mundo, aconteceu comigo de um cliente solicitar a legendagem de um vídeo. Neste caso, não precisei fazer a tradução, somente a legenda e o timing das falas.

O cliente enviou o texto em um arquivo do Word com uma determinada divisão. Passei as falas (já em português, traduzidas pelo cliente e com diversos erros) para o Subtitle Workshop e comecei a fazer as divisões das legendas, correção dos erros, e finalmente, o timing.

Todo profissional que trabalha com legendagem sabe que no geral, cada linha deve ter no máximo 32 caracteres; cada legendas deve ter no mínimo 1 segundo ou 30 frames de duração, entre outras regras que devemos obedecer.

Ao entregar o trabalho, o cliente solicitou que mantivesse as legendas do mesmo jeito como estava no arquivo do Word. Informei que daquela forma o trabalho não seria profissional, informei sobre os erros gramaticais, mas ele insistiu em manter como havia enviado.

Refiz o trabalho e entreguei como o solicitado. Depois pensei: será que realmente deveria ter feito isso? Será que deveria, então, ter informado que não iria fazer o trabalho de maneira amadora (afinal, é o meu nome que está em jogo)?

Pensei que isso fosse uma exceção à regra, mas um colega comentou uma situação parecida. No caso dele, o cliente solicitou que não usasse pontuação no final das frases curtas e que não têm outra frase em seguida (também em um trabalho de legendagem). Uma tradutora ressaltou que é importante se impor nesses momentos, porque se outra pessoa ver o nosso trabalho desse jeito e tiver um mínimo de conhecimento, vai guardar o nosso nome como sendo um profissional que não tem domínio da gramática, ou de legendagem, ou do trabalho que for.

Fazendo uma comparação um pouco grosseira, essas solicitações são como pedir que um engenheiro construa um prédio utilizando areia de praia e não concreto, simplesmente porque eu quero que seja feito assim. Amanhã ou depois se o prédio desabar, quem levará a culpa será o engenheiro, e não quem mandou utilizar a areia no lugar do concreto.

Lembre-se sempre que outras pessoas verão o seu trabalho final, e você é totalmente livre para aceitar fazer do jeito que o cliente solicitar (mesmo sendo fora das regras), ou optar por não fazer.

Para finalizar o post, deixo uma breve citação do livro Escola de Tradutores, do Paulo Rónai:
“… toda tradução, para ser bem-feita, deve obedecer a algumas regras fundamentais, tanto técnicas quanto éticas”.