Quero ser tradutor, e agora?

Algumas pessoas querem ser/começar a trabalhar como tradutor, mas não têm ideia do que fazer, como começar, etc. Eu também já tive essas dúvidas e por não conseguir encontrar as respostas, acabei indo parar em uma faculdade de pedagogia. Hoje, com a internet, existem mil blogs e redes sociais onde você pode fazer uma pergunta e encontrar várias respostas com diferentes pontos de vista.
Mas não é porque eu não tive as respostas que outras pessoas precisarão passar por isso também. Aqui no blog procuro postar assuntos que ajudem os iniciantes a tomarem suas decisões com mais confiança.
Infelizmente em nossa profissão não existe uma receita de bolo, mas algumas dicas sempre são bem-vindas, certo? E se você já decidiu que quer ser tradutor, mas não sabe o que fazer agora, esse post é para você!!!
Quero ser tradutor, e agora???
Pare e pense
Realmente quero ser tradutor? Eu sei como é essa profissão no dia a dia? Essas perguntas parecem bobas, mas não são. Muitos têm uma ideia errada sobre a nossa profissão. Conheço pessoas que se formaram, e depois desistiram por diversos motivos, e um deles era porque acharam a profissão muito solitária. Outros pensam que é molezinha só porque a maioria dos tradutores trabalha em casa. Não se iluda! Trabalhar em casa e como autônomo pode parecer muito bom, mas exige bastante do profissional.

Depois de refletir bastante sobre a profissão, fazer pesquisas e ver se realmente possui perfil para ser tradutor, vamos ao segundo passo.

(In)Forme-se
Mesmo já tendo domínio de um idioma estrangeiro e da língua materna, muitas pessoas ainda se sentem inseguras para entrar no mercado. Talvez você tenha terminado um curso de letras ou mesmo de tradução e, apesar de ter conhecimento linguístico e algumas técnicas, esteja sentido falta de algum conhecimento específico para se especializar. Talvez você esteja vindo de uma formação em outra área (direito, medicina, publicidade, etc.) e quer direcionar sua profissão para a tradução, mas sente falta de uma base linguística.E, claro, não podemos esquecer das noções de informática! O computador é nossa ferramenta de trabalho e você tem quem ter uma noção mínima de como utilizá-lo, instalar softwares, etc.

Entre em contato com profissionais que já atuam na área, seja através das redes sociais, congressos, eventos, blogs. A troca de experiência sempre é muito útil, e com certeza as pessoas terão algum curso para indicar ou alguma dica para dar.
Faça cursos, tanto para se aperfeiçoar como para conhecer as técnicas de tradução. Pode parecer bobeira, mas traduzir vai muito além de passar um texto de um idioma para o outro.
Analise e Planeje
Se chegou nesta fase é porque você já tem alguma base para ser tradutor. Agora é preciso criar um

plano de negócios para que você comece a conseguir trabalho, e para isso você deve responder as perguntas abaixo:

  • Quais serviços vou oferecer? Tradução, versão, legendagem, tradução para dublagem, interpretação, revisão, transcrição, etc.
  • Com quais idiomas vou trabalhar? Para ser tradutor a fluência não é tudo, mas ajuda bastante. Se você sabe inglês fluentemente e espanhol intermediário, por exemplo, não diga que traduz os dois idiomas. Vejo muita gente falando que sabe inglês, espanhol, italiano e francês básico. Oi?! Francês básico não faz de você um tradutor de francês. Outro detalhe: se você sabe vários idiomas, vai perceber com o tempo que trabalhará mais com um do que com outro. Não escolha trabalhar com um idioma só porque tem menos “concorrentes”. Trabalhe com o idioma que você gosta e procure se diferenciar no meio da multidão.
  • Em quais áreas vou me especializar? Se especializar em uma área, seja ela jurídica, médica, técnica, financeira, etc., é interessante já que isso é bom tanto para o cliente, como para você, pois saberá quais tipos de empresa poderá atender com os seus serviços, e não perderá muito tempo pesquisando termos específicos usados em determinadas áreas. Também é importante ter um conhecimento geral para que não fique preso às suas áreas de conhecimento.
  • Quais equipamentos vou utilizar? Pense em todos os equipamentos necessários para o seu trabalho, desde um bom computador, mesa e cadeira adequados, um bom fone (caso você trabalhe com tradução audiovisual), até as CAT e software que vai precisar. Lembre-se que você é um profissional e esses são seus instrumentos de trabalho, portanto, invista neles.
  • Quais tarifas vou praticar? Assunto polêmico, porém importante! Você até pode usar a tabela do Sintra como referência, mas só se for para cliente direto. Se estiver trabalhando em parceria com uma agência de tradução ou com um colega, verifique os valores de acordo com os orçamentos que possuem. Você pode ler mais sobre esse assuntos nos posts “Quanto devo cobrar” e “Agência de tradução x Cliente direto“.
Agora que você já passou por todas essas etapas e fez um breve planejamento do seu negócio, chegou o momento de ir para o mercado!
Eu sei que bate um certo receio, mas o momento perfeito nunca vai chegar. Sempre existirá algo que pode ser melhorado, então, dê o primeiro passo. Com o tempo você vai ganhando experiência e se aperfeiçoando.
Procure clientes, mostre para o mundo quem é você e o que você faz. E mostre que você é bom naquilo que faz!
Fonte de inspiração: blog El traductor en la sombra.

Como se organizar

Um detalhe importantíssimo é que devemos ser organizados. Como muitas vezes os prazos são extremamente apertados, é preciso saber onde localizar cada projeto para evitar a perda de tempo.
Cada profissional tem sua forma de organização. Alguns mantem suas pastas e arquivos na nuvem. Eu, particularmente, não gosto. Sou um pouco medrosa (rs). Como a maioria dos projetos que traduzo são confidenciais, fico temerosa que alguém consiga acessá-los, então tudo fica salvo no meu computador e em um HD externo o qual utilizo constantemente para fazer backup (vai que o computador acorda um dia sem querer funcionar…).
Vou deixar mais ou menos o modelo da minha forma de organização.
Crio uma pasta com o nome do cliente/agência de tradução. Dentro dessa pasta crio uma outra com o ano (2015). Dentro desta, crio uma com o mês (maio), e dentro desta, crio outras com os dias que recebo os projetos. Dentro da pasta com os dias, crio uma nova pasta com o número/nome dos projetos e dentro dessas pastas eu guardo o projeto original e o projeto traduzido. Veja a foto abaixo para entender melhor:
Desse jeito fica fácil localizar algum projeto antigo caso precise voltar nele e fazer qualquer modificação.
Quem já trabalha utilizando algum software, lembre-se que também é importante organizar suas TMs (memórias de tradução), glossários, etc.
Lembrando que este é apenas um exemplo. Funciona para mim, mas você deve encontrar a melhor forma de se organizar.
Quanto mais organizado você for, mais rápido conseguirá localizar as informações que precisa.