7 coisas que não gosto na profissão de tradutor autônomo

Antes de começar a escrever este post quero deixar bem claro que meu objetivo aqui não é desestimular ninguém! Apenas tive a ideia de fazer um post falando sobre as coisas que não gosto na minha profissão. Quem me conhece e me segue pelo blog e redes sociais sabe que sempre digo que amo ser tradutora, que sou realizada profissionalmente e tal. Mas nem por isso minha vida profissional é um mar de rosas, e justamente por isso fiz o post.
O Tradutor Iniciante (blog, grupo e fanpage) foi criado para ajudar os tradutores que estão começando a carreira agora, e também, aqueles que ainda estão pesquisando sobre a profissão antes de se jogar de corpo e alma em uma graduação/pós-graduação/profissão sem antes saber se é isso que realmente querem. E essa busca é importantíssima para evitar frustrações futuras.Então, vamos lá!



1. Vacas magras. Eu simplesmente fico doida quando a demanda de trabalho cai. E não adianta vir com a conversa de que profissional bom não fica sem trabalho. Pode até não ficar sem trabalho, mas que a quantidade/demanda cai, cai! Isso é fato! Eu adoro trabalhar e fico desesperada na época das vacas magras, pois pra quem é autônomo pouco trabalho significa pouco dinheiro. E isso nos leva ao nº 2.

2. Instabilidade financeira. Sou muito controlada quando se fala de dinheiro. Mas não posso negar que às vezes gosto de gastar aqui e ali com coisinhas para decorar a casa, roupas e beleza (afinal, qual mulher não gosta de se cuidar?). Também adoro viajar e fazer uns programas diferentes, como sair para jantar com o marido, ir passear com as amigas, e coisas desse tipo, que em alguns momentos não podemos fazer porque precisamos ter controle financeiro (principalmente na época das vacas magras). O fato de não ter um salário fixo me incomoda um pouco quando começa a diminuir a demanda e percebo que o montante daquele mês não será tão bom quanto o de outros meses.






3. Produção. Talvez essa terceira “coisa” que não gosto na profissão seja algo muito mulherzinha, mas… Confesso que algumas vezes sinto falta de me arrumar para sair, de colocar aquele salto alto e me maquiar. Por mais que para trabalhar em casa o ideal seja não usar pijamas, também não é necessário que você trabalhe de terno e gravata, se for homem, ou de salto 10 cm e um vestido tubinho, se for mulher.

4. Equipe de trabalho. Quando trabalhamos como autônomos, por mais que tenhamos uma parceria ou um contrato de prestação de serviços com alguma agência, e mesmo que nos tratem bem, não trabalhamos em equipe. Mas, Laila – você deve estar se perguntando -, é um trabalho em equipe, pois você traduz, outro profissional revisa, e por aí vai, para que a agência consiga entregar o trabalho da melhor maneira possível ao cliente. Certo! Concordo plenamente, mas o fato de não conhecer as pessoas com as quais trabalho, ou poder sair pra almoçar com elas, comemorar uma meta alcançada, etc, me faz sentir que não estou em uma equipe (até porque trabalho com muita gente de SP).

5. Plantão. Por mais que um tradutor autônomo tenha liberdade de escolher quais dias deseja trabalhar, que horas e onde, muitas vezes nosso horário acaba sendo o horário comercial, pois é o momento em que outras empresas estão trabalhando e é quando você conseguirá algum contato com elas. Me angustia muito o fato de às vezes precisar sair para ir ao banco resolver um problema, ou ir ao médico, ou fazer qualquer outra coisa na rua, e deixar o 3G do celular ligado e ficar o tempo todo de olho no e-mail e Skype, até porque recebo muito comunicado interno de empresa que deve ser traduzido e entregue dentro de algumas horas.

6. Demanda. O fato da demanda de trabalho ser muito menor para o espanhol do que para o inglês é algo que às vezes me incomoda muito também. Mas neste caso não posso falar apenas no que se refere à tradução. Até mesmo quando quero fazer cursos preciso ficar esperando meses, semestres, anos para conseguir abrir uma turma. Você pode estar pensando ou querendo me perguntar: “Laila, mas então, por que você não faz tradução ou o curso que quer em inglês?” A resposta é simples: eu amo espanhol! Gosto de me especializar em espanhol! Infelizmente, pelo fato do inglês ser o idioma mais comum, a maioria dos cursos e trabalhos são voltados para este idioma.


7. Riscos. Em alguns momentos precisamos correr alguns riscos. Quando alguns leitores vêm conversar comigo e perguntam sobre determinada agência ou algo sobre cliente direto, geralmente informo que o novo (seja cliente direto ou agência) sempre será um risco. Risco de fazer o teste e talvez não ser aprovado; risco de talvez não receber resposta alguma sobre o e-mail enviado ou mesmo sobre um teste realizado (já fiz testes e estou esperando o feedback até hoje); risco de não receber o seu pagamento (esse risco existe tanto com cliente direto como com agências). Mas se você focar apenas nessa parte, seu trabalho vai congelar e você não vai conseguir sair do lugar. Analise todas as possibilidades e converse muito bem com seu cliente/agência antes de aceitar o trabalho. Isso evita muitos problemas futuros, tanto com relação à qualidade do trabalho, como com relação à datas de pagamento.

Apesar dessas 7 coisas que não gosto na profissão, consigo lidar com todas sem nenhum problema. Acredito que o grande segredo é ser flexível e estar aberto à novas experiências todos os dias. E com o tempo vamos aprendendo a contornar essas situações.

3 Comentários para: “7 coisas que não gosto na profissão de tradutor autônomo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.