Meu 1º trabalho como intérprete – Parte 2 – Como foi a experiência do 1º dia

Continuando o post “Como consegui meu 1º trabalho como intérprete“, hoje vou contar como foi a minha experiência como intérprete. E já começo dizendo que por mais que possa parecer a mesma coisa, a função do tradutor e a do intérprete são bem diferentes!
Retomando do finalzinho do último post, quando entraram em contato comigo para informar os detalhes do trabalho como local onde seria o evento, assunto (para eu poder pesquisar e estudar), etc, eu quase nem acreditei. Confesso que fiquei feliz e, ao mesmo tempo senti um pouco de medo. Não era exatamente medo, mas bateu aquela insegurança. Pensamentos como “e se eu não conseguir?”, “e se ninguém entender?”, “e se…”, “e se…”, “e se…” não saíam da minha cabeça. Então, comecei a tentar pensar em coisas boas. Eu tenho domínio do idioma, já tinha feito uma interpretação intermitente no México (informal, mas fiz), o conteúdo não era difícil e era um tema que me interessava e que já tinha estudado um pouco na faculdade. Então, fui tentando me acalmar e encarei a oportunidade sem medo de ser feliz!
Lembrei de algumas informações que recebi com alguns professores na época da pós e também o que aprendi em algumas palestras e pesquisas feitas na Internet.
Um dos maiores dilemas de uma mulher é que roupa usar em determinado lugar. Então, lembrei que os professores sempre falavam que o intérprete tem que ser discreto. Para os homens isso é fácil (rs), mas para as mulheres, às vezes é um pouquinho complicado, principalmente se gostar de brilho e roupas muito coloridas…
Procurei ir bem arrumada, porém discreta.
Cheguei um pouco antes do início do evento para poder conversar melhor com as pessoas e entender como seria feito o trabalho. O evento era o XIV Congresso Internacional de Gestalt-Terapia.
A princípio eu iria interpretar 2 workshop de 2 horas, mas houve um problema e acabei indo socorrer uma das salas que estava sem intérprete e adivinha só: como eram apenas 3 pessoas que não falavam português, eu sentei perto dessas pessoas e precisei fazer uma interpretação simultânea sussurrada (e eu tinha combinado apenas a interpretação consecutiva).
Confesso que na hora nem deu tempo de entrar em pânico. Digo isso por dois motivos: 1º porque não era um workshop, era um minicurso, e 2º porque ainda não me considero hábil para trabalhar com interpretação simultânea (conhecida pelos clientes como tradução simultânea), mas encarei e fiz. E fiz bem, segundo os 3 ouvintes.
Quando aquele minicurso terminou, a sensação que eu tinha era de que estava saindo fumaça da minha cabeça (rs).
Saímos (eu e os outros intérpretes) e quando voltamos, eu ainda me sentia tão cansada mentalmente que comecei a achar que esse tipo de trabalho não era para mim. Que aquele seria meu primeiro e último trabalho de interpretação. Mas foi só um pensamento bobo, desses que vêm e passam…
Então, chegou a hora, e eu tinha que partir para a próxima sala, e para a minha surpresa (de novo), era outro minicurso. Mas, para a minha felicidade, dessa vez a palestrante era Argentina e combinei com ela de fazer uma consecutiva, já que os ouvintes eram praticamente todos brasileiros. Foi menos tenso que no primeiro minicurso (ainda bem! rs).
A Gabriela Murgo (foto) foi muito simpática, e falou de maneira bem pausada, o que me ajudou bastante na interpretação. Tive um pouco de dificuldade apenas para entender o nome de alguns autores que eu não tinha visto quando fiz a pesquisa antes de ir para o evento.
Ao sair desse minicurso, nem tive muito tempo para descansar. Corri para a próxima sala e fui para a última interpretação do dia. Dessa vez, um workshop (graças a Deus)!!!
Como da outra vez, conversei com a palestrante sobre como faríamos a interpretação, e novamente foi uma consecutiva!
A Adriana Laborda Orte (foto), também argentina, dirigiu um workshop sobre Gestalt e Biodança. Além de interpretar menos por causa das diversas atividades, esse foi um momento bem divertido, onde os ouvintes puderam dançar e se conhecer através de várias atividades propostas.
O lado “ruim” de ser intérprete é que você não pode “entrar na dança” (tem videozinho la no instagram), apesar de ter sido chamada para participar da última atividade, e com direito a fotinho com todo mundo. rs
Não tinha lugar pra mim, então praticamente me joguei no chão…
Que bom que algumas meninas me acompanharam… rs
E assim terminou meu primeiro dia como intérprete, já sabendo que no dia seguinte eu voltaria. E na segunda parte desse post eu conto como foi o segundo dia! 😉

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