VI Congresso da Abrates – Parte 2

O primeiro dia do Congresso foi maravilhoso como contei para vocês no outro post. O grande “problema” da noite, ao receber a programação, foi decidir para qual palestra iríamos. Muitas era interessantes, mas infelizmente ainda não conseguimos nos dividir para estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, então, o jeito foi optar por uma palestra e depois, correr atrás dos colegas que estavam assistindo as outras para contar como foi.

 

Neste post vou contar como foram as palestras do dia 06/06.
1ª Palestra: Interpretação de premiações com transmissão ao vivo pela TV (Felipe Cichini Simões)
Quem acompanha o blog e a fanpage sabe que estou começando a ir para o lado da interpretação. Estou doida para fazer o curso da Pós-graduação da Estácio de Interpretação de Conferências, mas enquanto não abre turma de espanhol, vou pesquisando e aprendendo tudo o que puder por minha conta. Então, não reparem caso eu tenha assistido algumas palestras sobre essa área.
O Felipe explicou que há algumas diferenças entre a simultânea de conferências e a de premiações que passam na TV. Na primeira, pode haver um atraso entre o que o palestrante diz e a tradução, mas na TV isso não pode acontecer, porque quando começa o comercial, cortam a transmissão e o telespectador fica sem saber o final da fala traduzida. Sendo assim, é preciso fazer quase que uma dublagem.
É importante manter a entonação usada pela pessoa que está sendo interpretada, porém, se ela contar uma piada, o máximo que você pode fazer é adaptá-la, pois não há tempo para explicar a piada que foi traduzida. E caso esteja interpretando do inglês para o português, por exemplo, e do nada a pessoa começa a falar francês, o intérprete não precisa traduzir e nem mesmo comentar que a pessoa está falando outro idioma.
Essa palestra foi muito interessante para mim, pois já comecei a pegar algumas dicas para quando for começar a estudar/atuar como intérprete (mais vezes).

2ª Palestra: O tradutor e os 7 pecados capitais (Veronica Colassanto)

Essa segunda palestra foi muito voltada para iniciantes, então, adivinha qual foi a primeira coisa que veio à minha cabeça??? Isso mesmo! Vou anotar tudo e postar no blog!!! rs
A Veronica começou a palestra falando algo que eu já tinha percebido e que tenho certeza que alguns de vocês também já notaram por aí: Nós encaramos o nosso trabalho com entusiasmo e prazer enquanto muitas pessoas saem de casa tristes para ir trabalhar.
Ela também pontuou 4 atitudes essenciais que precisamos ter durante nossa carreira, mas principalmente no início (que é o momento mais difícil)
  • Autoconfiança – é preciso confiar no seu trabalho, estabelecer metas reais e atingíveis.
  • Perseverança – principalmente nas épocas ruins. Enquanto há épocas que parece que não vamos dar conta de tantos trabalhos, há momentos que não chega nem um e-mail. Mas o importante é não se desesperar.
  • Coragem – O que nos amedronta é viver daquilo, ter sucesso e viver disso. Estamos tão acostumados com a vidinha normal, de trabalhar em algo que não gostamos, mas estamos acomodados com o salário, ou porque o local de trabalho fica perto que casa, que quando pensamos em viver daquilo que realmente gostamos de fazer e ter sucesso, ficamos amedrontados.
  • Disciplina – Cumprir com a nossa palavra é algo essencial! Se você diz que vai entregar o trabalho até às 18h, faça o possível e o impossível para conseguir. Crie também uma rotina de trabalho.
E, chegando aos pecados capitais…
  1. Gula – em alguns momentos queremos fazer tudo o que chega e, às vezes, não dizer NÃO ao cliente pode prejudicar a qualidade e a entrega de um trabalho. Precisamos tomar cuidado para não virarmos trabalhadores compulsivos. É preciso buscar a moderação.
  2. Luxúria – Verifique se o trabalho vale a pena. Às vezes um cliente aceita pagar um ótimo preço por palavra, mas o conteúdo é tão ruim de ser traduzido (seja por não ser sua área de especialidade ou porque o texto está mal escrito) que o valor que será pago acaba não valendo a pena, e pior, nos desgasta. Busque sempre o equilíbrio, tanto na vida profissional, como na vida pessoal.
  3. Avareza – Seja generoso. Quando você ajuda com conhecimento, as pessoas terão prazer em ajudá-lo. Ninguém pode roubar ou tirar o conhecimento de nós. Não precisamos ter medo achando que ao ajudar um colega vamos perder o nosso lugar. Apenas perderemos a nossa posição se deixarmos a desejar com nosso trabalho. Por isso, faça sempre o seu melhor!
  4. Inveja – Não se preocupe com o colega que está sempre com muito trabalho e consegue que lhe paguem uma boa tarifa. Lute para conseguir o que você deseja! Lembre-se: para o progresso 10% do que você precisa é talento e 90% é esforço. Acredite em você mesmo e tenha paciência! Ninguém vira um bom profissional da noite para o dia.
  5. Ira – Seja educado. A falta de educação fecha portas. Se queremos ser respeitados, a educação faz parte disso. Use suas energias para coisas boas. E, mais um lembrete: todo mundo acaba sendo conhecido (pelo lado bom ou ruim).
  6. Vaidade – Somos eternos aprendizes e muitas vezes aprendemos com o trabalho dos iniciantes. Precisamos reconhecer que somos falíveis. Precisamos reconhecer nossos limites e capacidades, e trabalhar para superá-los (mas também devemos valorizá-los).
  7. Preguiça – Não traduza o primeiro termo que vem à cabeça. Pesquise e analise a área que está sendo traduzida. E siga estes passos quando realizar um trabalho: Pesquise, revise criteriosamente e atualize-se (saia do comodismo da experiência).
Essa mensagem foi muito importante para mim, e acredito que também poderá ajudar quem ainda está iniciando a carreira.
3ª PalestraUm intérprete ganha o quanto cobra? (Richard Laver e Raquel Schaitza)
E mais uma palestras voltada para a interpretação… rs
Mas apesar do foco ser na interpretação, podemos também pensar na tradução.
O Richard e a Raquel fizeram uma pesquisa com aproximadamente 50 intérpretes, analisaram as respostas e levaram os resultados.
Pudemos verificar que por mais que você siga a tabela de valores de referências do Sintra para cobrar por um trabalho, é preciso lembrar que:
  • temos gastos (consumo pessoal, impostos, plano de saúde, férias, previdência, aposentadoria, poupança, investimentos profissionais);
  • gastamos tempo (enviando e-mail, estudando, fazendo nosso marketing, indo a eventos)
Isso faz com que não recebamos de fato aquilo que cobramos do nosso cliente.
Então, como estabelecer os meus valores? Como calcular o orçamento para um trabalho?
  • Pense em quanto tempo você vai precisar para finalizar o trabalho (inclua o tempo que pode ser gasto com pesquisas e estudos)
  • Envie sua proposta mostrando ao cliente o porquê daquele preço. Mostre o valor do seu trabalho.
Lembre-se: “Tarifas têm que ser baseadas em dados concretos, não podem ser tiradas da cartola, nem cobradas ‘porque sim’!”.
4ª PalestraTeoria x Prática na interpretação: o que se ensina é o que se pratica? (Anelise Gondar e Natália Taddei)
Oops! Mais uma palestra sobre interpretação! Mas essa foi a última que assisti sobre interpretação. rs
Essa palestra teve como foco a parte mais técnica da profissão de intérprete, o que pra mim foi ótimo para já começar a pensar no que está por vir… E, acreditem, fiquei chocada quando ouvi que para falar e ouvir simultaneamente é preciso, aproximadamente, 6 meses de treinamento intenso.
Algumas estratégias de interpretação foram:
  • Compreensão/condensação – precisamos produzir uma versão mais concisa, sem informações repetidas;
  • Omissão/elipse – omite parte da mensagem: problema de compreensão ou memória;
  • Aproximação/atenuação – não encontra um equivalente ideal e produz sinônimo, hiperônimo, versão menos precisa;
  • Paráfrase/explicação – explica o significado do termo quanto não há ou não encontra correspondente;
  • Transformação morfossintática – expressa o significado da mensagem original com construção sintática diferente
  • Transcodificação/calque – tradução palavra por palavra;
  • Reformulação paralela/substituição – inventa algo mais parecido ou menos plausível no contexto ou substitui o termo;
  • Correção/repair – se dá conta de que interpretou algo errado ou que há uma solução melhor e decide fazer uma correção;
  • Evasão/neutralização – não se compromete com uma determinada posição e deixa que o ouvinte decida;
  • Restruturação/mudança de ordem – muda a ordem do discurso fonte tornando o discurso meta mais idiomático;
  • Inferência – recupera informações perdidas ou incompreensíveis com base no contexto;
  • Não correção/no repair – opta por não corrigir um erro identificado;
  • Frase incompleta – usa fala fragmentada, para no meio da frase e omite grandes unidades de sentido do discurso fonte;
  • Repetição – repete elementos já interpretados na forma de sinônimos ou equivalentes.
Cada palestra de interpretação me fez sentir ainda mais vontade de começar logo a pós-graduação nesta área!!! Vontade de aprender todas as técnicas e tudo o que puder!! rs
5ª PalestraComo, pelas circunstâncias, me tornei uma agência (Raquel Lucas de Sousa)
Me identifiquei muito com o que a Raquel falou em sua palestra. A história de como ela começou foi bem parecida com a minha (só que eu ainda não virei agência… rs… Mas quem sabe um dia…rs).
É preciso enxergar as oportunidades que aparecem na nossa frente. Ela comentou que recebia e-mails solicitando a realização de trabalhos em idiomas que ela não sabia, serviços que ela não prestava, mas recebia pedidos de informações que poderia fornecer (que eram desconhecidas pelo cliente), então, começou a fazer o seu marketing pessoal: informava ao cliente que ela não fazia o serviço, mas conhecia alguém que sabia fazer, assim, ela iria resolver o “problema” do cliente.
Para isso ela precisou identificar os conhecimentos que tinha:
  • administração de tarefas com facilidade;
  • proatividade;
  • conhecimento de colegas que trabalham com determinados pares de idiomas;
  • conhecimento suficiente do mercado;
  • possuir as informações que o cliente precisa.
E para conseguir clientes é preciso:
  • Ter postura;
  • Transmitir confiança;
  • Transmitir segurança;
  • Ter uma rede de profissionais confiável;
  • Ser ético.
E aí, a Raquel falou uma coisa que sempre falo, tanto aqui no blog, como por mensagens quando alguns leitores entram em contato comigo:
Identifique o seu cliente no Facebook! Sim, o Facebook é um ótimo lugar para encontrar cliente, seja direto, agência ou mesmo algum colega que está precisando de ajuda ou repassando um trabalho.
Saiba como responder a oferta do cliente. Se o cliente publica um post solicitando um trabalho, leia atentamente o que é pedido e faça o que se pede. Se o cliente pediu para enviar e-mail, não envie inbox! Evite usar o chat. Utilize texto profissional nos e-mails (não precisa usar linguagem rebuscada, mas evite abreviações, gírias…)
Orçamento: Ao enviar um orçamento para o cliente, salve o arquivo como .pdf para enviar como arquivo não editável (sabemos que um .pdf pode ser convertido e alterado, mas isso vai dar um pouco de trabalho). Faça um orçamento descritivo, informando passo a passo do que será feito durante o trabalho (análise do texto, tradução, pesquisa de termos específicos, revisão). Isso mostrar o valor que o seu trabalho tem e evitará que o cliente solicite “um descontinho”. Caso o cliente aceite, peça que rubrique todas as páginas e assine a última. Caso o mesmo não possua impressora, peça que envie um e-mail informando que aceita e concorda com o contrato do orçamento enviado em anexo. E sempre informe o seu valor sem regatear, e peça sinal!
Crie um padrão (de trabalho, de contrato, de cobrança) e insista nele!
Tenha uma postura profissional!
  • Crie um e-mail profissional (esqueça o lailinha_1988@hotmail.com);
  • Crie um site (site mostrando o que você faz, e dentro do site, se quiser, um blog. Se possível, adquira o servidor e um domínio) [Se vocês quiserem, é só deixar um comentário no final desse post que depois ensino como fazer];
  • Em seu site, crie um formulário para cadastro de tradutores freelancers;
  • Faça cartões de visita;
  • Crie sua empresa (PJ);
  • Emita Nota Fiscal, caso o cliente solicite.
Sempre solicite feedback, tanto dos clientes, como das agências e colegas. Esse é o melhor termômetro para avaliar o seu trabalho.
E assim, terminaram as palestras da parte da manhã do nosso sábado. No próximo post (VI Congresso da Abrates – Parte 3) vou contar sobre as palestras que assisti após o almoço.

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